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Goiânia, 20 de Outubro de 2020

Formação - A CARNE DO IRMÃO

A CARNE DO IRMÃO

Eu envergonho-me da carne do meu irmão ou da minha irmã? - esta a principal pergunta feita pelo Papa Francisco. O cristianismo não é uma regra sem alma, um prontuário de observações formais para gente com o coração vazio de caridade. O cristianismo é a própria carne de Cristo que se inclina sem envergonhar-se sobre quem sofre. Francisco refere-se ao fato dos discípulos de Jesus não jejuarem e serem criticados pelos fariseus que, por sua vez, jejuavam muito. Tinham transformado os Mandamentos numa ética, numa formalidade.


Receber do Senhor o amor de um Pai, receber do Senhor a identidade de um povo e depois transformá-la numa ética é recusar aquele dom de amor. Esta gente hipócrita são pessoas boas, fazem tudo aquilo que se deve fazer. Parecem boas!

já o profeta Isaías tinha deixado claro qual o jejum na visão de Deus: 'libertar os que foram presos injustamente, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa'. E o jejum mais difícil apresentou-o Jesus na Parábola do Bom Samaritano:  ter a capacidade de se inclinar sobre o homem ferido. E não esqueçamos que o sacerdote passa, olha mas não para com medo de contaminar-se.

Aquele é o jejum que quer o Senhor! Jejum que se preocupa com a vida do irmão, que não se envergonha da carne do irmão. A nossa perfeição, a nossa santidade vai para a frente com o nosso povo, no qual nós somos eleitos e inseridos. O nosso maior ato de santidade está na carne do irmão e na carne de Jesus Cristo. O ato de santidade hoje, nosso, aqui no altar, não é um jejum hipócrita: é não envergonharmo-nos da carne de Cristo que vem hoje aqui! É o mistério do Corpo e do Sangue de Cristo. É ir dividir o pão com o esfomeado, tratar os doentes, os idosos, aqueles que não podem dar-nos nada em troca: aquilo é não envergonhar-se da carne!

Quando eu dou a esmola, deixo cair a moeda sem tocar a mão? E se por acaso a toco, faço assim, de repente? Quando eu dou uma esmola olho nos olhos o meu irmão ou irmã? Quando eu sei que uma pessoa está doente vou visitá-la? Cumprimento-a com ternura? Há um sinal que talvez nos ajudará, é uma pergunta: sei acariciar os doentes, os idosos, as crianças, ou perdi o sentido da carícia? Estes hipócritas não sabiam acariciar! Tinham-se esquecido... Não envergonhar-se da carne do nosso irmão: é a nossa carne! Como nós fazemos com este irmão e com esta irmã, seremos julgados.

Papa Francisco

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Data: 07/03/2014

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