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Goiânia, 15 de Novembro de 2018

Formação - É possível distinguir as tentações que procedem de nós mesmos das tentações do demônio?

É possível distinguir as tentações que procedem de nós mesmos das tentações do demônio?

A tentação e o pecado

 

 

 

 

A tentação que provém do demônio não se distingue em nada dos nossos próprios pensamentos, já que o demônio tenta infundir em nós espécies inteligíveis. Ou seja, o demônio introduz em nossa inteligência, memória e imaginação objetos apropriados a nosso entendimento que em nada se distinguem dos nossos pensamentos. Uma espécie inteligível é justamente isso, o que há em nosso pensamento quando exercitamos a ação de pensar. Imaginar uma árvore, resolver uma equação matemática, desenvolver um raciocínio lógico, compor uma frase, tudo isso são espécies inteligíveis. Nós a produzimos no interior do nosso espírito racional, porém um anjo também pode produzi-las e comunicá-las silenciosamente.

 

 

Comunicamos nossas espécies inteligíveis, sobretudo, pela linguagem, ainda que também possamos fazê-los, por exemplo, com a pintura ou a música. Porém, sempre por um meio externo, enquanto o anjo pode transmitir essa espécie sem necessidade de meio algum. Por isso não existe maneira de distinguir o que vem de dentro de nós, de um anjo, de um demônio ou de Deus diretamente.

 

 

Pois bem, as pessoas que levam muitos anos esforçando-se na vida espiritual, com uma vida de oração muito intensa, podem advertir que há tentações que aparecem com uma intensidade bastante surpreendente e com uma estranha persistência sem que tenha motivo para isso. Por exemplo, a leitura de um livro contra a fé produz tentações contra a fé, é lógico; porém, se essa tentação aparece logo no início muito intensa e persiste durante semanas, pode ser sinal de que seja uma tentação do demônio. Não é uma certeza. De modo geral, as tentações sem causa razoável, muito intensas e persistentes, podem proceder do demônio. No entanto, com essas características tão vagas nunca podemos estar cem por cento seguros.

 

 

A nós sacerdotes chegam pessoas de intensa vida de oração e que sem jamais haver tido nenhum problema psicológico, sentem desejos de blasfemar contra Deus ou de pisar num crucifixo, por exemplo. Se essas perturbações são crônicas, é razoável pensar que têm sua origem em uma enfermidade. Porém, se sua aparição é repentina e a pessoa parece ter mente sã, existe razão para suspeitar que sejam tentações procedentes do demônio.

 

 

O psiquiatra que tiver lido essa explicação, seguramente pensará que o descrito se deve a um processo de ação-reação. A tais psiquiatras queremos dizer que conhecemos perfeitamente esses mecanismos do subconsciente, porém também os recordamos de que o demônio existe. E sua existência fica mais evidente quando a tentação obsessiva desaparece prontamente sem jamais voltar a aparecer. As tentações do demônio nunca são crônicas. E, por veementes que sejam, quando desaparecem, não deixam a mais leve sequela na psique que as padeceu.

 

 

O que fazer diante da tentação?

 

 

Repeli-la de pronto. A tentação nada pode nos fazer se a repelimos; se não dialogamos com ela, é inofensiva. Porque desde o momento em que dialogamos com ela, em que ponderamos os prós e os contras do que nos diz, em que consideramos o que nos propõe, desde esse instante nossa fortaleza s e enfraquece, nossa oposição se debilita. Uma vez iniciado o diálogo, necessitamos de muito mais força de vontade para repeli-la.

 

 

Outra coisa que nós confessores observamos, é que alguns penitentes, muitos devotos, às vezes se agoniam diante de certas tentações que os empurram a cometer grandes pecados. Essas pessoas, devotas e religiosas, não explicam como lhe vêm esses pensamentos e, além disso, se sentem muito culpadas; culpadas e impotentes. Tendo  compreende o que é uma espécie inteligível infundida pro um demônio, compreende-se que o melhor modo de trabalhar contra ela é ignorá-la, fazer justamente o contrário do que nos propõe ou se pôr a rezar. Desespera-se não serve para nada. Então, se um não se desespera, aquele que se desespera é o demônio.

 

 

O demônio nos pode introduzir pensamentos, imagens ou recordações, porém não pode introduzir-se em nossa vontade. Podemos ser tentados, mas ao final fazemos o que queremos. Nem todos os poderes do Infernos podem forçar alguém a cometer o mais leve pecado.

 

 

Fonte: Tratado de Demonologia e manual de exorcistas (SVMMA Daemoniaca)

JOSÉ ANTÔNIO FORTEA nasceu em Barbasto (Espanha) em 1968, é sacerdote e teólogo especializado em demonologia. Pertence ao presbítero da Diocese de Alcalá de Henares (Madri). Em 1998 defendeu a sua tese de licenciatura. “O exorcismo na época atual”, orientada pelo secretário da Comissão para a Doutrina da Fé da conferência episcopal espanhola. Ele já este no Brasil em algumas ocasiões.

Data: 20/08/2018

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