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Goiânia, 19 de Setembro de 2020

Formação - O demônio pode provocar uma enfermidade mental?

O demônio pode provocar uma enfermidade mental?

O demônio pode provocar uma enfermidade mental?


 

Sim, o demônio pode tentar, também pode fazê-lo de forma contínua, intensa, sem cessar, e tratar de provocar tanto uma obsessão ou uma fobia, quanto uma depressão ou outras enfermidades. Costumamos dizer que pode transmitir espécies inteligíveis, transmiti-las com tal frequência que perturbaria seriamente a vida normal da pessoa, ao ponto de desequilibrá-la. Mas Deus impede sua livre ação sobre nós. Toda ação do demônio sobre os homens deve ser permitida por Deus.



 

demonio enfermidade

 

 

 

 

Acrescento, ainda, à questão inicial: podemos contrair uma enfermidade mental sem a intervenção do demônio? A resposta seria exatamente a mesma: sim, se Deus permitir. Essa é uma resposta de caráter quase universal, mas por mais abrangente que seja – na verdade, quase tudo cabe nela - ,temo muito que não exista outra resposta para essa pergunta.


 

 

Conhecido o mecanismo interno utilizado para provocar a tentação – a infusão de espécies inteligíveis em nossa inteligência, memória e imaginação - , esse modus operandi também pode ser usado de modo tão persistente que desequilibre a pessoa. Está no domínio do poder do demônio fazê-lo. A única coisa que pode impedi-lo é a vontade de Deus. No entanto, Ele sempre o impede? Certamente que não. Se Deus nem sempre impede a ação das causas naturais que provocam a enfermidade, tampouco impedirá sempre a ação do demônio.

 

 

Entretanto, nessa área de atuação do demônio, para além do campo da tentação, o desempenho dele é excepcional. Toda doença mental é proveniente de causas naturais, até que se prove o contrário. De outro modo, se pusermos de um lado uma pessoa enferma de causas naturais e de outro uma pessoa com enfermidade mental de causa demoníaca. Não haveria uma maneira de distinguir uma da outra, porque só vemos o efeito externo.

 

 

O demônio pode provocar doença no corpo?

 

 

Primeiramente, devemos deixar claro que as doenças aparecem devido a causas naturais. Pensar que as doenças têm suas causas no mundo dos espíritos, seria como regressar a um estado pré-científico, no qual a razão seria substituída pelo mito. Se os demônios existem, em vista disso, não se pode descartar absolutamente que eles possam agir algumas vezes neste campo. As regras gerais são como o próprio nome sugere, “gerais”, mas nada impede que aconteçam eventos especiais, por mais raros que estes sejam. Normalmente, do céu chove água, ou cai neve ou granizo, mas, algumas vezes, um meteorito também cai do céu.

 

 

Assim, essa também é uma maneira extraordinária e incomum, pela qual Deus pode permitir que um demônio cause uma enfermidade. Na verdade, São Lucas menciona explicitamente o caso de  “uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e não podia absolutamente erguer-se” (cf. Lc 13,10-14). Não se diz que essa mulher estivesse possuída, mas pode-se dizer que o demônio era a causa dessa enfermidade. Essa afirmação é categórica no Evangelho. A isso podemos acrescentar o caso da morte dos maridos de Sara, no livro de Tobias, causados pelo demônio Asmodeus (Tb 3). Santa Teresa de Lisieux escreveu um capítulo muito interessante ao falar sobre sua vida:

 

 

“ A doença que veio me acometer provinha, na verdade, do demônio. Furioso com o vosso ingresso no Carmelo [...] desejou vingar-se em mim de todo o dano que nossa família haveria de causar-lhe no futuro, mas não me fez quase sofrer; pude seguir meus estudos, e ninguém se preocupou por mim. Havia finais de ano que atravessei com uma contínua dor de cabeça. (...) Isso durou até a festa da Páscoa de 1883. (...) Ao despir-me, senti-me invadida por um estranho tremor. Eu não sei como descrever uma enfermidade tão estranha. Hoje estou convencida de que foi obra do demônio. (...) Quase sempre parecia estar delirando, pronunciando palavras sem sentido (...) Muitas vezes parecia estar inconsciente, incapaz de executar o menor movimento. (...) Eu acredito que o demônio tinha recebido um poder externo sobre mim, mas não podia se aproximar da minha alma, nem do meu espírito, se não para inspirar-me imensos temores de certas coias” (História de uma alma, cap. III).

 

 

 

Como distinguir se uma visão é um problema demoníaco ou psiquiátrico?

 

 

   O tempo é a melhor maneira de discernir se algo é um problema psiquiátrico ou se é ação do demônio. Se uma visão, voz ou algo que parece ser extraordinário for uma enfermidade mental, inevitavelmente, irá se desenvolver. As psicoses tendem a desenvolver-se. Não ficam presas. E o tempo acaba desenvolvendo-as de maneira tal que tudo fica claro. Mas quando alguém se refere a um caso de visão e pede a um teólogo para discernir sobre ele, na maioria das vezes é absolutamente impossível. Depois de alguns meses, os casos mais obscuros tornam-se claros. E se deixarmos que a enfermidade siga o seu curso, no final de alguns anos, o assunto torna-se claro até mesmo para os membros da família mais neófitos nessa área.

 

 

   Para dar um exemplo: se um penitente desconhecido se ajoelha no confessionário e diz ao confessor que a Virgem lhe disse em alto som que o ama e que seja bom, o sacerdote não pode saber se tem diante de si uma pessoa que sofreu uma alucinação ou uma locução. Provavelmente, nem o melhor teólogo do mundo poderia saber. Mas se o confessasse durante um ano, as coisas ficariam cada vez mais claras, e em menos tempo. Pois, se o penitente está doente, paulatinamente vai desenvolver a enfermidade e dirá que a Virgem lhe revela mais e mais coisas, e estas serão cada vez mais e mais singulares. Passados cinco anos, a enfermidade ficará evidente não somente ao confessor, mas também aos seus familiares, pois a natureza absurda e ilógica das alucinações se desenvolverá normalmente, já que se trata de uma doença. E conforme avançam, os transtornos mentais tendem a desligar-se cada vez mais das leis da lógica.

 

Data: 03/05/2019

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