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Goiânia, 19 de Setembro de 2020

Formação - O demônio pode fazer milagres?

O demônio pode fazer milagres?

 

 

“Tendo Moisés e Aarão chegado à presença do faraó, fizeram o que o Senhor tinha ordenado. Aarão jogou sua vara diante do rei e de sua gente, e ela se tornou uma serpente. Mas o faraó, mandando vir os sábios, os encantadores e os mágicos, estes fizeram o mesmo com os seus encantamentos: jogaram cada um suas varas, que se transformaram em serpentes. Mas a vara de Aarão engoliu as deles” (Ex 7,10-12).

 

 

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Na Idade Média, ao se falar aos teólogos, bastava que alguém apresentasse esse texto e tudo ficava claro. Hoje, no entanto, quando alguém apresenta um texto da Bíblia aos teólogos, é preciso depois provar que o texto significa o que diz. A autoridade da Bíblia nunca esteve tão baixa entre os teólogos. Em raros temas, como a demonologia, percebe-se de maneira mais clara o que diz a Bíblia. Quando a Sagrada Escritura trata da demonologia, não há que buscar sentidos raros e distorcidos.


 

O texto apresentado no Êxodo mostra que os demônios são capazes de realizar coisas extraordinárias além das leis naturais que conhecemos. Eles não podem fazer ações impossíveis para a sua natureza angélica. Não podem criar algo do nada, não podem viver em um homem morto, não podem ignorar as leis da natureza. Os que agem devem fazê-lo segundo as leis da natureza. Deus, sim, pode agir além dessas leis: pode criar algo, pode devolver a visão a um cego apenas com o Seu desejo, pode restaurar um corpo que esteja corrompido. Um demônio pode curar a cegueira de alguém somente se, com a sua força e por meio das leis da natureza, for possível; assim como um médico pode curar certas enfermidades com seu conhecimento e os meios ao seu alcance. Do mesmo modo, uma pequena enfermidade, por exemplo, em alguns casos pode curá-la e em outros não. O seu poder não é capaz de dar vida ao tecido morto, mas pode acelerar os processos, colocar fim em algo,  etc.


 

O que foi dito referente a esse assunto é válido para o restante dos fenômenos. Pode suspender algo no ar, pode conceder grande força física a alguém em um dado momento, pode provocar uma tempestade. Mas não pode tornar uma pessoa imortal, pois as leis biológicas seguem seu curso. Não pode transformar a água em vinho, mas pode extraí-la de um recipiente fechado e trocá-la por vinho. Não pode criar um olho em uma cavidade vazia no rosto, mas poderia tirar uma pedra do rim. Cada demônio age de acordo com o poder de sua natureza, sem sair dos limites que a lei cósmica lhe impõe. Deus é o único onipotente cujo limite é o impossível. E assim, nem mesmo Deus pode criar um círculo quadrado, tampouco pode pecar, esquecer de algo ou criar outro Deus.


 

O fato de o demônio fazer coisas extraordinárias explica por que o faraó e sua corte permaneceram firmes em não deixar partir o povo hebreu, apesar de serem testemunhas dos prodígios que Deus fazia. O faraó via com seus próprios olhos que seus mágicos também faziam coisas extraordinárias, e por isso pensou que com a ajuda de todos os seus deuses poderia lutar contra o “deus” desconhecido e hebreu. Ele não etendeu que o deus desconhecido não era um deus, e sim Deus.


 

Da mesma maneira que os mágicos dos faraós transformaram seus cajados em serpentes (Ex 7,12) ou fizeram aparecer as rãs (Ex 8,3), assim também, no final da História, Deus permitirá que os demônios façam feitos extraordinários, os quais narra o Apocalipse. Como se diz no último livro da Bíblia, no final dos tempos haverá pessoas que farão prodígios pela obra do demônio.


 

COMO SABEMOS QUE ALGO É CAUSADO PELO DEMÔNIO?


 

O mundo material é regido por leis e causas materiais. Mas às vezes nos perguntamos se tal doença, catástrofe ou acidente foi causado pelo demônio. Para responder a essa pergunta poderíamos formular a seguinte máxima:

 

NIHIL PER DAEMONIUM, NISI DEMONSTRATUM

 

(nada é causado pelo demônio, até que se prove o contrário).


 

Essa regra não é perfeita, porque embora acredite que tal tentação tenha sua origem em mim, essa pode proceder do demônio sem que eu sequer possa suspeitá-lo. Isto também se aplica a qualquer outra área onde a causa exterior provenha de uma intervenção oculta do demônio. No entanto, há mais benefícios em seguir estritamente essa regra do que se deixar levar por uma contínua suspeita. Deve-se afirmar categoricamente que o natural tem uma causa natural. Um cientista só pode atribuir às causas não físicas aqueles fenômenos impossíveis de serem explicados pelas causas desse mundo material. Tampouco seria mais científico se todos resolvessem explicar os feitos preternaturais com as leis desse mundo. Por exemplo, um feito em que uma virgem de gesso chore sangue humano (caso de Civitavecchia, Itália) é um fato sobrenatural. Se um cientista insiste em explicar isso com razões naturais, a única coisa que demonstra é o quão pouco razoável pode ser. Quer dizer: demonstraria estar usando a razão a favor de seu capricho, como um meio para chegar a uma verdade que já tenha decidido de antemão. Um cientista que usa a razão para seu capricho, já não é um cientista, e sim uma espécie de bruxo ou mágico da razão. E assim, diante de determinados fatos, certas pessoas, apesar de suas qualificações, agem tão irracionalmente quanto um bruxo caribenho dançando ao redor do fogo. Dançam ao redor do fogo da razão, mas são as sua decisões tomadas de antemão que guiam seus movimentos nessa dança.


 

Em geral, quando um ato é extremamente preternatural e não há como negá-lo, por mais racional que seja, esses tipos de cientistas teimosos tiram da manga uma solução que valha para todos: os poderes da mente podem fazer milagres.


 

O cientista não crê nos milagres, se você disser que o viu com seus próprios olhos, chama-o de louco. Mas se o milagre ocorrer diante dos olhos dele, a resposta é rápida: os poderes da mente... Ali, nesses poderes, há resposta para tudo. Não importa que seja uma estigmatização, a liquidificação de um sangue coagulado ( caso do sangue de São Genaro e de São Pantaleão), não comer nada durante anos (caso de Teresa Newmann, Áustria), etc.,etc.


 

Os escribas e fariseus não levaram em consideração os milagres de Jesus, pois eles encontraram uma desculpa perfeita para tranquilizar sua consciência: disseram que Ele os realizava com o poder do demônio. Hoje, essa desculpa é inadequada, principalmente se quem o diz é ateu. Então, apelar para os poderes da mente, às forças do universo ou famoso “só conhecemos cerca de 5% de tudo o que nos cerca”, fica melhor.


 

O DEMÔNIO PODE CAUSAR MÁ SORTE?


 

Essa é uma das perguntas que mais frequentemente as pessoas que, em algum momento de suas vidas acreditam estar sofrendo com os efeitos de algum tipo de magia fazem aos sacerdotes. A primeira coisa a ser respondida seria que, a partir de uma perspectiva cristã, falar de boa ou má sorte é um modo superficial de considerar as coisas. Digo superficial, embora deva precisar que, como modus loquendi seja admissível, teologicamente é incorreto.


 

Tudo que externamente parece ser má sorte deve ser considerado como uma provação, e aquilo que aparenta ser boa sorte deve ser considerado como bênção. Deus permite o mal por meio de todo tipo de causa secundária, entre as quais a ação do demônio. Mas como saber se o demônio está envolvido em uma maré de azar que surge em nossa vida? Não há como responder, uma vez que se trata de uma causa real, mas inexplicáveis, tanto pelo modo como se sucederam como porque não há uma maneira racional para explicá-los, é que seria admissível pensar que por trás há uma causa demoníaca.


 

O sacerdote deve responder que não há forma alguma de saber se o demônio está ou não por trás desses acontecimentos que lhe foram referidos. Mas, no caso de haver realmente a influência do demônio, o modo de combatê-lo é a oração. A oração é o que atrai a benção divina e afasta o ser maligno.


 

Normalmente, as pessoas perguntam quantas orações devem fazer, de que modo e quais são elas. A resposta que lhes dou é: quanto mais oração fizer, mais atrairá a benção divina sobre você e os seus.


 

As pessoas buscam modos complicados, quase mágicos, de voltar à paz. Devemos explicar-lhes que Deus é um Deus de simplicidade.


 

O QUE É O MALEFÍCIO?


 

Malefício é aquela operação que se realiza com o objetivo de prejudicar o outro com o auxílio de demônios. Existem malefícios para matar, para causar a possessão, para que alguém vá mal nos negócios, para alguém ficar doente, etc. Como já foi dito, os malefícios só produzem efeitos se Deus o permitir. Quanto mais alguém reza, mais protegido está contra todas estas influências.


 

O antigo rito de exorcismos dizia em sua praenotanda: mande o demônio dizer se permanece naquele corpo por alguma obra maléfica ou sinais ou instrumentos maléficos, os quais, se o possesso tiver comido, que os vomite. Ou que revele se estiverem em algum lugar fora do corpo. E, encontrados, que sejam queimados completamente.


 

Se o possesso vomita um objeto maléfico, esse deve ser queimado. Mas é melhor que o exorcista não toque nele com as mãos. Se tocar, convém que reze enquanto o faz e que depois lave as mãos com água benta. Do contrário, esse tipo de objeto pode provocar, em determinado momento, alguns problemas de saúde durante certo tempo.


 

O MALEFÍCIO TEM EFICÁCIA?


 

Muitas pessoas perguntam se a maldição funciona; alguns a chamam inadequadamente de “mau olhado”, embora não tenha nada que ver com o olhar ou olhos. A primeira coisa que deve ser dita é que aquele que faz o malefício, como quem o encomendou, será o primeiro prejudicado pelo demônio. Sem dúvida será prejudicado com algum tipo de influência demoníaca, com a possessão ou com enfermidades. Nunca se invoca o demônio em vão.


 

Depois, as pessoas perguntam se existe proteção contra o que foi feito. Pois bem, isso depende da vontade de Deus, isto é, a esse respeito afirma-se o mesmo que de um acidente, enfermidade ou catástrofe. Em nossa existência sobre a Terra Deus permite bens e males, porque a vida é uma prova antes do Juízo. É fato que a pessoa que ora e vive na graça de Deus está protegida por Ele. Quanto mais orarmos e quanto mais desenvolvida estiver a nossa vida espiritual, mais protegidos nos encontraremos.


 

Como é possível saber se alguém é vítima de um malefício? Não existe uma maneira de saber, uma vez que a ação do demônio é invisível. Só temos a certeza quando há uma possessão ou uma influência demoníaca na pessoa cujos sinais sejam visíveis ao exorcista. Também é possível deduzir que um mal seja fruto de um malefício, quando aquele vier acompanhado de feitos preternaturais malignos. Mas, salvo apareçam sinais externos que demonstrem ser uma causa demoníaca, nunca se poderá saber se algo tem sua origem ou não em causas naturais.


 

O QUE FAZER EM CASO DE MALEFÍCIO?


 

O que dizer se alguém tiver qualquer suspeita de que tenham colocado uma maldição sobre ele? Como já foi dito, se é praticamente impossível chegar à certeza neste assunto, mesmo para um especialista, que dirá para uma pessoa como muito menos conhecimento sobre o tema. Mas, se o malefício foi praticado, o único modo de destruí-lo é fazendo o contrário.


 

Quer dizer: se uma pessoa invocou o demônio para fazer o mal, a vítima deve invocar a Deus para que Ele a proteja, ajude e bendiga. O bem sempre é mais forte que o mal.


 

Àqueles que vêm à minha paróquia dizendo que sofrem um malefício, salvo em casos excepcionais, digo-lhes que é impossível comprovar a causa demoníaca, mas que se na realidade sofreram um malefício, o único remédio é o seguinte:

 

  • Rezar um mistério do rosário;
  • Ler o Evangelho durante cinco dias;
  • Falar com Deus ao menos alguns instantes.

 

 

Claro que poderia acrescenta outras coisas. Mas como a maior parte das pessoas que vem pedir ajuda não faz nenhuma oração, tampouco se pode impor-lhes muito mais. Sobretudo, nos casos de influência, nos casos em que não há uma possessão. Já quando há possessão, sentem-se mais necessitadas de ajuda e estão dispostas a orar mais. Ao três pontos anteriores se pode aconselhar-lhes, se os vir muitos afligidos, outros pontos adicionais:


 

  • Ir à Missa (dominical ou com mais frequência);
  • Colocar um crucifixo em casa;
  • Colocar uma imagem da Virgem Maria;
  • Abençoar-se com água benta, uma vez ao dia.

 

Ao fazer estas ações, se o mal que sofrem vem do demônio, esse irá se afastando. Mas se não cessa, seria sinal de que não estava sendo provocado por um malefício. Nos casos em que o sacerdote for exorcista, poderia rezar para comprovar se há alguma influência sobre a pessoa; e se o malefício tiver alguma influência, o sacerdote pode fazer oração de libertação. Mas, em outras ocasiões, o demônio sai depois de ter causado o mal (por exemplo, na saúde). Quer dizer, se por causa de um malefício uma pessoa sofre um problema de saúde, mas o exorcista vê que não há nenhuma influência, então essa enfermidade é como outra qualquer, porque sua cura dependerá da medicina; em casos como esse o demônio chegou na pessoa, causou o mal e foi embora. Neste caso aplicam-se as causas naturais para justificar o mal provocado, e não é necessário mais nada.


 

O QUE É O FEITIÇO?


 

O feitiço é aquela operação feita para conseguir algo de positivo com auxílio de demônios. Neste caso, a intenção é buscar algo de positivo no feitiço usado para prejudicar alguém, ou seja, que alguém enamore por quem o fez, que os negócios caminhem bem, que seja promovido no trabalho, etc. Como está claro que o demônio não pode tudo, ele apenas tenta. Logo, pode interferir em algo através da tentação. Não se pode conseguir aquilo que busca através dele. Assim, muitas vezes, ele acaba provocando a possessão ou algum tipo de influência. E ele sempre o faz, ou à pessoa ou à vítima do feitiço.


 

Se durante o exorcismo for possível localizar o objeto do feitiço ou do malefício, deve-se destruí-lo. Mas caso não o encontre, será completamente indiferente, uma vez que a oração a Deus é que vai destruir toda a influência demoníaca daquele objeto. O mesmo procedimento deve ser aplicado para o malefício, pois o demônio está definitivamente agindo. 

Data: 24/05/2019

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