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Goiânia, 18 de Janeiro de 2020

Formação - A mentira não é algo positivo para a formação humana

A mentira não é algo positivo para a formação humana

Uma das piores coisas que um pai ou uma mãe podem fazer diante de um filho é mentir, mesmo sendo uma mentira aparentemente tola, como mandar a criança, ao atender o telefone, falar que eles saíram, por estarem ocupados naquele momento. Melhor, nessas ocasiões, seria pedir que a criança dissesse que eles vão retornar a ligação mais tarde – e o fazerem. Mentir perante os filhos é um desserviço à formação ética e moral deles. Além de não acarretar boas consequências para a vida da pessoa, pois a mentira pode levar a um mau hábito, desvio de comportamento ou compulsão.

 

A pessoa começa mentindo uma vez, depois outra, uma terceira e assim vai até se enrolar nas próprias mentiras, a ponto de, às vezes, acreditar nelas ou, mais comumente, cair em descrédito generalizado. Afinal, quem compraria um carro de um mentiroso ou votaria nele? Por isso, nada mais verdadeiro do que aquele ditado: “A mentira tem perna curta”. Faltar com a verdade ainda expõe outros defeitos graves.

 

 

 

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Quem mente, no fundo, não aceita uma realidade que o incomoda ou não sabe lidar com suas próprias limitações. O vizinho comprou um carro novo? Então, para que dizer que também vai comprar um se, na realidade, não tem condições para tanto e, às vezes, nem precisa? Em outras ocasiões, a pessoa mente por mera comodidade: é aquela velha situação de ser convidada para ir à festa de um amigo e, como não pretende ir, inventa que tem outro compromisso. Trata-se de uma maneira delicada de dizer não, mas ainda sim uma mentira.

 

A verdade deve sempre sobrepor a mentira

 

Acho que a verdade sempre pode ser dita de uma forma a não magoar o próximo e nisso consiste a arte do relacionamento humano. Vá lá que uma criança, às vezes, fantasie dizendo que o pai dela também tem um carro bonito, quando vê o carro novo do pai de um coleguinha. Mas uma criança não tem a maturidade dos adultos, por isso mesmo, precisa ser chamada à realidade por estes, para o próprio bem de sua formação.

 

Só consigo aceitar um tipo de mentira: a caridosa ou dourada. Costuma ocorrer em casos raros, quando a pessoa visita um amigo ou parente à beira da morte e, para não o deixar pior, diz que ele não está tão mal assim, e que acredita na sua recuperação. Pensando bem, será mesmo uma mentira dar esperanças a alguém desenganado pelos homens, se para Deus, como se sabe, nada é impossível?

 

Contar mentiras, muitas vezes, leva a pessoa a criar uma vida fantasiosa

 

Você conhece alguém ou se encontra nessa situação, em que as mentiras se tornaram verdades, por começar a acreditar nelas?

Aquelas mentiras, simples e inofensivas, que inicialmente eram criadas para não se sentir humilhado ou para sair de uma situação constrangedora, agora já se tornou tão grande, que até você acredita nela. Mesmo sabendo que é mentira!

Infelizmente, esse quadro tem crescido muito em nosso meio.

 

 

 

E quando as minhas mentiras se tornam as minhas verdades

 

 

 

Por que mentir?

 

Algumas pessoas começam, desde pequenas, a contar histórias mirabolantes de sua vida; porém, irreais, com o único objetivo de passar por aquele momento em que se sente inferior. Normalmente, isso acontece com pessoas que apresentam quadros depressivos, de baixa autoestima, baixa autoimagem, complexo de inferioridade por não possuir nenhum atributo físico, status ou material, que desejaria naquele momento e não o tem.

 

Vou dar um exemplo para ficar claro. Você encontra com um amigo, hoje, e pergunta como ele vai. Logo, ele responde: “Cheguei ontem de Paris. Você acredita que minha bagagem foi extraviada e eu tive de comprar algumas roupas lá? Não tinha nada para vestir até que minha bagagem chegasse. Foi um constrangimento, mas nada que atrapalhasse a beleza da cidade luz!”. Ao fim de todo o discurso, você fica embasbacado com tamanha história contada, pois havia visto essa mesma pessoa, de longe, há dois dias, no shopping da cidade. Então, fica na dúvida se realmente o viu há dois dias, se ele confundiu a data de desembarque ou se realmente inventou toda essa história. Até que você se lembra que essa não é a primeira vez que passa por essa situação com ela, e que já houve outras histórias.

 

O que é mentira de mitômanos?

 

A mentira dos mitômanos difere dos mentirosos compulsivos e demais classificações dessa área, e a mesma não tem intenção de prejudicar o outro. A mentira é mesmo na intenção de não se sentir inferior, de exibir algo que não tem e gostaria de ter; gostaria de ser e não é. Daí, podem surgir novas histórias como casamentos que não existem ou um determinado curso que não fazem; até sai, todos as noites, falando que está indo para faculdade, mas, na verdade, a pessoa faz outra coisa e sustenta toda essa história por vergonha daquilo que realmente é.

 

A mitomania normalmente se desenvolve por não tolerarem seus reais limites e frustrações, o que consequentemente os obriga a criar uma história fantasiosa suportável. Tal comportamento é semelhante ao das crianças; nesse caso, podemos comparar que em adultos temos um quadro de pessoas emocionalmente imaturas. Existe uma outra possibilidade também bem comum, que são os casos das pessoas que acreditam que o mundo só aceita aqueles que possuem algum valor, por isso criam seus valores para serem aceitos.

 

A grande dificuldade para as pessoas que desenvolvem essa patologia, ou seja, a mentira/mitomania, é que para ele se torna algo habitual, contam histórias criadas, inventadas, para se safarem de situações e sentirem bem. E à medida que não descobrem suas “falsas verdades”, continuam criando novas, pois percebem que essa é a melhor saída. Para eles, enfrentar a verdade é duro e sofrível.

 

O grande prejuízo dessa patologia é a desconstrução dos relacionamentos devido à falta de confiança, pois percebem o comportamento incoerente e não suportam viver no mar de mentiras e ilusões criadas por essa pessoa.

 

As formas de tratamento atualmente são psicoterapia e, se necessário, acompanhamento com psiquiatra. No entanto, o melhor suporte é o da família, pois, normalmente, não se reconhece a doença e, assim, raramente se chega ao consultório de psicologia para tratamento.

Data: 20/07/2019

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